Lucia Pica traduz emoções em formas com a Byredo
“Não é só sobre maquiagem, é sobre contar histórias.”
Depois de se matricular em um curso de maquiagem de um mês no início da vida adulta, Lucia Pica soube imediatamente que queria ingressar na indústria da beleza. Para ela, a maquiagem não era uma carreira — era uma linguagem que ela ansiava falar. Esse princípio se manifestaria mais tarde no trabalho de Pica com Byredo — onde, como parceira criativa de imagem e maquiagem da marca, ela se propôs a redefinir a beleza, colocando a emoção acima de tudo.
Para a Byredo, maquiagem é mais do que produto — é uma experiência sensorial. Quando Pica entrou para a marca em 2022, essa visão a levou a traduzir sentimentos evocativos em objetos tangíveis. Hoje, esse impulso evoluiu para o desejo de ampliar o território que a Byredo criou por meio de storytelling e de seus próprios mundos internos. Mais recentemente, Pica assinou a curadoria da nova coleção de festas “Polar Harmony” — uma manifestação física do inverno escandinavo ao longo do Mar do Norte.
Quando se trata das criações cuidadosamente pensadas da Byredo — suas paletas de sombras e batons com fragrância, sentir é tudo. Em especial na coleção “Polar Harmony”, Pica enxergou a maquiagem como um meio criativo para articular uma sensação de intimidade e alegria. Como as memórias, a beleza tem o poder de evocar emoções sensoriais — algo que Pica sempre reconheceu ao idealizar produtos.
Hoje, a visão de Pica para a Byredo vai muito além do alcance das mãos. Sem abrir mão da funcionalidade, a marca continua a conceber experiências para os cinco sentidos. Por sua obsessão pelos detalhes, enquanto constrói universos inteiros, a filosofia vibrante da Byredo será a razão de sua singularidade duradoura. À medida que a marca se desenvolve e se expande, o único desejo de Pica é que continue fazendo isso com a mesma intencionalidade que a originou.
A seguir, conversamos com Lucia Pica sobre o que inicialmente a atraiu para a Byredo e o processo criativo que tornou possível a nova coleção de festas.
Sobre a curadoria de “Polar Harmony”
Para mim, a maquiagem é um meio de expressar mundos internos — e o Mar do Norte, em toda a sua quietude e potência, espelhou algo emocional que eu queria explorar. É vasto e misterioso. Na “Polar Harmony” coleção, traduzi isso em um equilíbrio de tons frios e luz quente — como o reflexo dourado de um sol de inverno, quente, rompendo e incidindo sobre a água escura e congelada. Tons como “Marine Dream” e “Blue Haze” carregam um frescor gélido, mas ficam ao lado de “Golden Rêverie” e “Coral Mirage” , que trazem momentos de calor. É esse contraste entre o mar escuro e a liberação da luz que cria silêncio, intimidade e alegria.
Sobre sua visão para a Byredo
Fui atraída pela Byredo porque ela não se prende a convenções. Minha visão era traduzir emoção em forma — criar uma beleza que parecesse instintiva, moderna e elevada. Com o tempo, esse instinto se aprofundou. Não é só sobre maquiagem; é sobre contar histórias. Sobre criar objetos que as pessoas mantêm por perto, como memórias tornadas tangíveis.
Sobre a afinidade da marca pela experiência sensorial
Porque o sentir vem antes do pensar. Nós lembramos mais de como algo nos fez sentir do que de como parecia. Textura, aroma, cor — são elementos que nos conectam profundamente a uma experiência, presente ou passada.
Isso influencia tudo. Anos trabalhando em tantos rostos, sob tantos tipos de iluminação, me deram uma compreensão muito tátil de como a maquiagem precisa performar. Penso em como a cor reage aos subtons, em como a textura se acomoda na pele após horas de uso, em como os produtos podem mudar seu humor. Anos criando coleções e trabalhando de perto com cores e texturas me deixaram profundamente conectada às suas personalidades e à forma como se comportam. Para mim, contar uma história com cor e textura é a minha linguagem.
Sobre sua introdução ao universo da maquiagem
Minha primeira lembrança de maquiagem remonta a quando eu tinha cerca de dez anos. Eu era completamente fascinada pelas mulheres ao meu redor que a usavam — não só pelas cores, mas pelos gestos, pelo ritual, pela transformação. Havia algo quase mágico em vê-las se tornarem outra pessoa, ou mais elas mesmas, por meio da maquiagem.
Eu costumava visitar uma vizinha e desaparecer silenciosamente no banheiro dela. Passava horas ali, abrindo gavetas, experimentando tudo do armário. Sempre fazia uma maquiagem completa — base, batom, sombra — sem saber nada técnico, movida apenas pela curiosidade e pelo instinto.
Com o tempo, aquela fascinação migrou para as revistas de moda. Eu não me atraía só pelas roupas — eram os rostos. O modo como a maquiagem podia mudar um estado de espírito, moldar uma identidade, fazer você sentir algo. Essa dimensão emocional realmente ficou comigo.
Depois, quando me mudei para Londres, me matriculei em um curso de maquiagem de um mês. Foi curto, mas tudo se encaixou. Eu soube, imediatamente, que era isso que eu queria fazer. Pareceu natural, como algo que eu já carregava dentro de mim há muito tempo. Não era apenas um trabalho — era uma linguagem que eu precisava falar.
Para quem é a Byredo
Byredo é para todos. Trata-se, de fato, de liberdade — liberdade de regras, de prescrições, de dizerem como você “deve” parecer. É para quem quer descobrir como se sente. Para aqueles que são atraídos por uma beleza que os surpreende, que vive além da convenção. Gosto de pensar que é para quem encontra alegria no inesperado — seja expressando-se por completo, seja escolhendo um gesto mais contido. É sobre textura, qualidade, design — o ofício minucioso e o storytelling por trás de cada objeto. É sobre encontrar aquele produto com o qual você se sente plenamente você.
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Sobre o projeto favorito em que trabalhou
Bibliophilia, sem dúvida. É mais do que uma paleta — parece uma viagem. Há um ritmo nas 18 cores, quase como folhear as páginas de uma história. O nome diz tudo: é sobre o amor por histórias, por cor, por sobrepor emoções por meio da textura.
Queria criar algo que parecesse vasto, mas não avassalador — fácil, intuitivo, porém cheio de possibilidades. Você pode ir do suave ao ousado. Os tons são inesperados, mas conectados. Há algo de forte e delicado ao mesmo tempo. É uma paleta para viver, para voltar e sempre encontrar algo novo. Isso, para mim, é luxo: algo que segue se revelando.
Sobre o futuro da Byredo
No início do ano, chega uma nova paleta Eyeshadow 18 Colours — algo inesperado, mas pessoal. Estou muito animada com isso.
[Nosso plano] é seguir explorando — continuar criando ferramentas de expressão com intenção e profundidade. Queremos expandir, mas de formas significativas — novas texturas, novas categorias, sempre enraizadas na emoção. A beleza, para mim, nunca é estática. Ela evolui como nós.



















