SOCCERTES é a resposta de Nova York para a moda do futebol
Unindo gerações e estilos, essa é a nova cara fashion do esporte mais bonito do mundo.
Em um mundo saturado de versões réplica de camisas de time e logos retrabalhados, a SOCCERTES é um sopro de ar fresco no universo do futebol e da moda. Nascida em Nova York, a marca foi construída sobre uma base de família e um amor genuíno pelo esporte mais bonito do mundo.
Fundada originalmente nos anos 1970, a marca foi revivida por Cameron Jones, que resgatou as raízes que o avô plantou no coração da cultura de futebol dos Estados Unidos e aproximou gerações para criar um label de moda que conversa com qualquer pessoa.
Reconhecida de imediato pelo logo da bola sorridente, a SOCCERTES é o antídoto perfeito para o movimento blokecore — com criações pensadas, intencionais, que vão além das tendências e transitam entre o universo do futebol e do streetwear. Se você já não aguenta mais as microtendências, deixe a SOCCERTES ser o seu refúgio seguro.
Conversamos com Jones sobre as origens da SOCCERTES, as inspirações por trás de suas criações, a próxima Copa do Mundo e o futuro da marca de futebol mais querida de Nova York. Siga rolando para ler a conversa completa.
Quando foi que você entrou de vez no design de moda?
Sou ligado em moda desde criança. Lembro de correr por SoHo com meus amigos, entrando em lugares como DQM, Alife, Supreme, Kidrobot, até a Flight Club, e simplesmente me apaixonar por esses espaços. Não era só sobre as roupas; era sobre a sensação. A energia dentro das lojas, o jeito como uma marca conseguia criar um mundo inteiro — eu sempre achei isso o máximo. Estar nesse ambiente e ver como a moda podia parecer e como podia te fazer sentir foi o que acendeu meu interesse bem cedo.
Com o tempo, esse amor foi evoluindo. Fiquei muito obcecado por vintage, principalmente vintage de sportswear — camisas antigas, bonés, aquelas peças clássicas cheias de personalidade. Eu me conectei com isso na hora. Ao mesmo tempo, sempre fui apaixonado por esporte, então esses dois mundos começaram a se fundir de forma muito natural para mim.
Depois, minha atenção mudou por um tempo e eu fiquei 100% focado no futebol, tentando me tornar jogador. Mas, depois da faculdade, tive um momento de virada quando encontrei algumas das peças e designs que meu avô tinha criado para a SOCCERTES. Aquilo foi o ponto de inflexão. Ver aquele trabalho me inspirou a reimaginar o que a SOCCERTES poderia ser hoje.
A partir dali, tudo fez sentido — minha infância, minha criação, meu amor pelos esportes, meu interesse por roupas e design. A SOCCERTES virou o veículo para juntar todas essas influências em um só lugar.
Como você percebeu que queria criar moda especificamente em torno do futebol?
Eu sabia que queria criar em torno do futebol porque sempre foi meu primeiro amor. E vai além disso — fui criado pelos meus avós, que são da Inglaterra, então cresci em uma casa cheia de história, de relatos e de uma conexão muito real com o jogo.
Meu avô, na verdade, veio da Inglaterra para os Estados Unidos e esteve envolvido na primeira liga profissional, a NASL. Ele comandou o New York Cosmos e fez parte da vinda de jogadores como Pelé e Franz Beckenbauer. Então esse legado sempre esteve ao meu redor. Cresci ouvindo essas histórias, entendendo o que eles construíram e sentindo muito orgulho do que meus avós conquistaram.
Por causa disso, o futebol sempre esteve no meu sangue. Nunca pareceu uma escolha — era simplesmente uma parte natural de quem eu sou. Então, quando chegou a hora de criar algo meu, fazia todo sentido construir isso em torno do jogo. Também virou uma forma de seguir conectado ao futebol depois que a carreira em campo não rolou como eu imaginava. Foi tipo: eu ainda amo esse esporte e ainda posso fazer parte dele — só que de um jeito diferente.
Também acho que futebol e moda se misturam de um jeito muito orgânico. Tem muita emoção, cultura e identidade no jogo, e isso se traduz perfeitamente em roupa. O futebol é um dos esportes mais passionais do mundo, e moda é totalmente sobre sentimento — como você se apresenta, como você se coloca no mundo.
Para mim, nunca existiu de verdade outra opção. Futebol e moda juntos simplesmente faziam sentido — não só criativamente, mas de forma autêntica. É parte da minha família, da minha formação, da minha história. É a coisa mais natural que eu poderia estar criando.
Conta um pouco sobre o seu processo de criação.
Meu processo de design é muito baseado em visualizar o jogo de formas diferentes. No centro da nossa marca, falamos sobre construir o mundo em volta do futebol — então eu estou sempre me perguntando: como isso realmente se parece? Que sensação provoca? Como o jogo te impacta de maneiras que talvez você nem perceba na hora, mas com as quais se conecta em um nível mais profundo?
Acho que ser de Nova York também me dá uma perspectiva diferente sobre o esporte. Se você perguntar aos meus avós, ingleses de Exeter, eles provavelmente vão dizer que a única coisa que importa é o Exeter City e se o time ganhou ou perdeu. Mas, do meu ponto de vista — especialmente agora, com esporte, entretenimento e moda cada vez mais misturados — existe muito mais espaço para explorar, e é sobre bem mais do que só o jogo em si.
Então, no processo criativo, a ideia é desenvolver conceitos e peças que falem de futebol, mas sem serem tão literais. Nem sempre estou interessado em simplesmente dizer “isso é futebol”, deixando óbvio com uma camisa de time ou algo super direto. É mais sutil do que isso. E, sinceramente, essa tensão é interessante — porque a marca se chama SOCCERTES e nosso logo é uma bola enorme sorrindo. Tem uma certa justaposição na forma como a gente aborda as coisas, e acho que é isso que torna tudo único.
Uma grande parte do meu processo é simplesmente viver o jogo. Ver partidas, ir ao estádio, jogar — mesmo que sejam peladas pequenas — tudo isso alimenta o trabalho. Mas, ao mesmo tempo, eu busco referência em todo o resto da minha vida também: outros esportes, música, gastronomia, arte e design.
No fim das contas, aquela bola sorridente é uma extensão de mim. Então boa parte do processo tem a ver com sensação — o que me atrai, o que ressoa, e como todas essas influências se conectam de volta ao mundo que estamos construindo.
Quais são as suas peças favoritas até agora?
Minha peça preferida no momento é, sem dúvida, a track jacket — na real, o conjunto completo, jaqueta e calça. É super clean e é daquelas peças que simplesmente fazem você se sentir bem quando veste. O que eu mais gosto é a versatilidade. Uso a calça sozinha, a jaqueta sozinha e, juntas, elas criam um look muito forte.
A gente acabou de voltar de um tour de futebol com passagens por Londres, Milão, Paris, e Amsterdã, e o retorno — a energia, as vibes — tudo foi incrível. Mas uma coisa que chamou muito a atenção de todo mundo foi o tracksuit. Foi muito legal ver isso, principalmente em cidades com cenas de estilo tão fortes.
Também sou muito fã dos nossos bonés — eles têm uma certa irreverência que é muito a nossa cara. A próxima coleção vai dar vida a muitas dessas peças queridinhas em uma escala maior, e isso me deixa muito animado. E, ao mesmo tempo, alguns dos meus produtos favoritos hoje são, na verdade, as amostras que recebemos de alguns projetos de collab em que estamos trabalhando.
Na sua visão, quem é a pessoa que compra SOCCERTES?
Para mim, quem veste SOCCERTES é qualquer pessoa que valoriza estilo, qualidade e design. Claro, é para quem ama futebol — quem se sente conectado ao jogo — mas também é, na mesma medida, para quem talvez nem ligue para o esporte, mas se identifica com a história e com as peças.
Isso é muito importante para a gente. Estamos criando peças que consigam viver nesses dois universos. Algo que um fã de futebol possa vestir e sentir, mas que também tenha força para se sustentar sozinho para quem simplesmente ama um bom produto.
Tudo o que fazemos é unissex — é para todo mundo. Assim como o futebol é para todo mundo. É o jogo que conecta o mundo e, para nós, a SOCCERTES fala justamente sobre conectar pessoas desse mesmo jeito.
Desde o começo, nunca quis que a marca fosse colocada em uma caixinha ou limitada só porque tem “soccer” no nome ou uma bola no logo. É maior do que isso. É sobre fazer parte de uma conversa mais ampla da moda — conectando-se com quem está dentro e em volta do jogo, mas também com os fashion heads que simplesmente apreciam peças bem desenhadas.
A meta é ver SOCCERTES em todo lugar — na passarela um dia, com certeza — mas, mais importante ainda, nas ruas, sendo usada no dia a dia. Versatilidade é tudo. As peças são elevadas, mas continuam usáveis em vários contextos. Esse equilíbrio é o que mais importa.
Quem são as suas maiores referências de design?
Sendo bem sincero, minha maior inspiração de design vem do que está rolando localmente — de como as pessoas chegam para as peladas e do estilo que levam para o campo.
Acho isso muito interessante porque os looks são super construídos e cheios de intenção, sem parecer que houve esforço. Você vê alguém chegando em um dia frio cheio de camadas — moletom, hoodie — e, na hora do jogo, a pessoa está de short com legging por baixo, talvez só uma camiseta por cima. Rola uma mistura muito natural entre estilo e funcionalidade, e isso cria um visual que parece verdadeiro.
Nova York tem algumas das comunidades mais fortes nesse sentido, mas você vê isso em outras cidades também. O interessante é que muita gente ali também é criativa. Chegam para jogar e, logo em seguida, estão indo trabalhar, emendar numa reunião ou encontrar amigos. Então existe essa necessidade de estar vestido para vários momentos ao mesmo tempo.
Essa interseção — entre esporte, vida cotidiana e criatividade — me inspira demais. Ela me faz pensar muito em como desenhar peças que circulem por todos esses espaços. Da pelada com os amigos ao momento de subir na bike para ir a algum lugar, até o drink depois do jogo.
Todos esses momentos pedem códigos visuais diferentes, mas todos são conectados pelo jogo. É isso que eu estou sempre tentando capturar no processo de criação.
Com a Copa do Mundo chegando, dá para esperar algo especial nos meses que antecedem o torneio?
Com a Copa do Mundo se aproximando, pode ter certeza de que vamos continuar superativos. Começamos o ano em alta, depois da SOCCERTES Football Tour, e agora estamos de volta em casa por um tempo, trabalhando em alguns projetos novos. Para nós, é muito sobre continuar aparecendo, marcando presença e tirando do papel ideias pelas quais a gente realmente é apaixonado e com as quais se identifica.
No momento, estou particularmente interessado em fazer a curadoria de mais eventos e ativações em torno do jogo — encontrar formas de reunir pessoas e conectar esses momentos a produto, design e storytelling. Esse lado comunitário é um foco enorme para a gente, tão importante quanto o produto em si.
Então, sim, à medida que nos aproximamos da Copa do Mundo, espere mais de tudo — mais futebol, mais energia, mais ativações, mais produto novo. Estamos aqui e estamos construindo. Claro que o mundo está de olho na Copa do Mundo, mas, para nós, também é sobre usar esse momento como combustível — não só para agora, mas para o que vem depois. Este ano, a Copa do Mundo feminina no ano que vem e tudo o que vier na sequência.
O que vem a seguir para a SOCCERTES?
O próximo passo é, de fato, continuar a consolidar a base da marca. Mesmo que a SOCCERTES seja uma marca de família que existe desde os anos 1970, essa nova versão — do jeito que eu a reimaginei e trouxe de volta à vida — ainda é bem recente. Então, agora, boa parte do foco está em definir quem somos e seguir expandindo o universo SOCCERTES.
Um grande sonho para mim é ter um espaço físico — uma casa real para a marca. Um lugar onde possamos juntar todos os nossos interesses sob o mesmo teto e construir uma comunidade em volta disso. É algo pelo qual eu, definitivamente, estou trabalhando.
Ao mesmo tempo, eu adoraria desfilar em uma Fashion Week e continuar ampliando nossas coleções — indo de força em força e lançando produtos incríveis de forma consistente.
Como nos importamos muito com ativações e com estar presentes na vida real, também estamos pensando em expandir para um lado mais de agência da marca. Criar momentos e experiências integradas que permitam a conexão não só pelo futebol, mas por uma lente criativa mais ampla — em diferentes plataformas, com outras marcas e com outros criativos.
No fim do dia, é sobre colaboração. Ajudar a tirar ideias do papel, trabalhar em projetos relevantes e continuar construindo algo que exista tanto dentro quanto além do jogo.



















