Zomer e KARHU voltam com um tênis novo e cheio de diversão
O fundador da Zomer, Danial Aitouganov, fala sobre o novo drop, memórias de infância e como usa IA na sua criação.
O verão sempre coloca mais energia no nosso passo, e esta nova colaboração traduz exatamente isso, ao pé da letra. Zomer (“verão” em holandês) se uniu à KARHU mais uma vez para lançar o Mestari Kesä tênis, uma silhueta de arquivo reinventada pelo olhar ousado e fora da curva da Zomer.
Fundada pelo designer Danial Aitouganov e pelo stylist Imruh Asha, a Zomer respira experimentação lúdica, misturando arte, autoexpressão e um toque de humor em criações sofisticadas. Já a KARHU soma mais de 100 anos de expertise em performance, ancorada no minimalismo finlandês e em uma longa história vestindo atletas pelo mundo.
O resultado? Um tênis que equilibra esses dois universos sem esforço. O Mestari Kesä combina um cabedal bicolor com um solado robusto, focado em performance, arrematado por uma tira delicada inspirada nas sapatilhas de balé. Em partes iguais técnico e expressivo, o modelo foi pensado para acompanhar o movimento do dia a dia — e para fazer declaração de estilo enquanto isso. Ele apareceu pela primeira vez na passarela da coleção SS26 da Zomer, em que as modelos pisoteavam uma paleta de tinta gigante — o sapato, literalmente, deixou sua marca.
A coleção chega acompanhada de “Big Foot”, campanha que leva a colaboração para um novo território. Apostando nesse campo polêmico das imagens geradas por IA, os visuais foram concebidos do zero em parceria com o fotógrafo Lucas Babinet, explorando a relação em constante transformação entre tecnologia e criatividade.
Sempre tivemos vontade de criar uma marca, mas, na época, não tínhamos as ferramentas, o networking nem a experiência, então simplesmente mergulhamos na indústria. Eu [Danial] trabalhei em maisons como Chloé, Burberry e Louis Vuitton, enquanto Imruh construiu sua trajetória no styling e se tornou Fashion Director da Dazed. Em 2023, sentimos que era hora de dar o salto e lançar a Zomer juntos. Mesmo com o mercado bastante saturado, acreditamos de verdade que temos algo distintivo para oferecer.
Vocês estão prestes a lançar a segunda colaboração com a KARHU. Como surgiu essa parceria e o que podemos esperar desta vez?
A colaboração aconteceu de forma muito natural. A KARHU nos procurou e, na hora, sentimos que era o match perfeito para a primeira collab da Zomer. Existe uma sinergia real entre as duas marcas, o que tornou todo o processo muito orgânico para a gente.
O time da KARHU é incrível, então foi uma experiência excelente. Eles nos deram espaço e liberdade criativa para explorar nossa visão, ao mesmo tempo em que traziam a expertise e o conhecimento profundo de construção de calçados. Esse equilíbrio tornou a colaboração muito inspiradora.
A campanha mais recente com a KARHU brinca com as fronteiras borradas entre IA e realidade. Como você equilibra esses dois mundos como criativo?
A IA está cada vez mais presente no nosso cotidiano, então pareceu natural começar a explorá-la agora, e não depois. Para nós, trata-se de entender a ferramenta e ver de que forma ela pode expandir nossa linguagem visual.
Nesta campanha, alguns elementos são fotográficos e outros são gerados por IA, mas o processo por trás de ambos é tratado da mesma forma. Ainda leva tempo para chegar ao resultado certo, ajustando cores, luz e composição até tudo ficar coerente. Não é tão simples quanto pode parecer. A intenção e o olhar por trás continuam sendo essenciais.
Como vocês chegam ao conceito de uma campanha? Pode contar um pouco sobre o processo criativo?
O conceito nasce da nossa coleção SS26, na qual exploramos exagero e redução, brincando com proporções ao ampliar e minimizar elementos. Para esta campanha, quisemos levar essa ideia além, “aumentando” o próprio tênis e colocando-o em uma proporção não natural. Isso nos permitiu levar a narrativa para além da realidade, sem perder o senso de humor, que é uma parte essencial da Zomer.
A Zomer gira em torno da autoexpressão e de uma brincadeira quase infantil. O que mais interessa vocês na infância — e vocês têm alguma lembrança favorita dessa época?
O que nos interessa na infância é o instinto, essa coisa de não complicar, apenas reagir à primeira sensação. Existe uma certa pureza nessa forma de enxergar o mundo, e é algo que tentamos preservar.
Danial: Cresci na Rússia, e uma das minhas lembranças mais fortes é de quando eu tinha uns seis anos, cercado por uma neve mais alta do que eu, quase desaparecendo ali dentro. Essa sensação de escala e de deslumbramento realmente ficou comigo.
Imruh: Eu era uma criança muito colorida. Uma memória que ficou é de mim na praia, construindo uma torre em forma de pessoa e cobrindo tudo com toalhas bem vibrantes, imaginando aquilo como uma figura gigante. Esse tipo de momento simples e brincalhão ainda influencia a maneira como pensamos e criamos hoje.
Como vocês conectam a identidade da Zomer ao caráter mais voltado à herança da KARHU?
Para nós, é uma forma poderosa de expandir a criatividade, de se divertir e explorar, mas sempre com base em conhecimento real e savoir-faire. Esse equilíbrio é importante: criar algo com olhar de vanguarda e expressivo, mas, ao mesmo tempo, pensado e usável.
A marca de vocês tem uma conexão forte com a arte contemporânea. Quem são alguns dos seus artistas favoritos?
Buscamos muita inspiração no movimento expressionista e também no movimento CoBrA, especialmente em artistas como Karel Appel. Ao mesmo tempo, também somos influenciados por figuras como Picasso e Yves Klein.
Houve um momento em que nos afastamos um pouco dessa ligação direta com a arte, mas é algo que sempre fez parte de nós, de forma muito natural. Para a próxima temporada, queremos retomar essa dimensão artística com mais força. É um processo contínuo, que evolui a cada coleção.
Trabalhando como dupla de criação, como vocês equilibram os papéis — e o que acontece quando discordam?
Na primeira temporada, rolou tensão, principalmente porque precisávamos nos reencontrar em um contexto diferente. Você pode conhecer bem alguém como amigo, mas trabalhar junto como sócio é uma história completamente outra.
Hoje tudo flui muito melhor. Claro que ainda existem divergências e, sinceramente, isso é positivo. Esse tipo de fricção gera reflexão e empurra o trabalho para a frente. Mantém a marca em movimento, em vez de deixá-la acomodada.
O que podemos esperar em dose extra da Zomer no futuro?
Estamos crescendo, e isso traz desafios, mas também é um momento empolgante para nós. Agora, o foco é refinar o produto e seguir construindo uma comunidade forte e engajada em torno da Zomer. Também temos algumas surpresas a caminho — coisas lúdicas e inesperadas, que estamos animados para dividir em breve.



















