Conheça a Nude Project, sua nova marca espanhola de streetwear favorita
A gente foi até Barcelona para conhecer a nova flagship da marca e descobrir tudo sobre a sua história de origem.
Se você ainda não é familiarizada com Nude Project, isso está prestes a mudar. Lançada por Bruno Casanovas e Alex Benlloch lá em 2019, a marca hoje já soma 11 lojas pelo mundo, três colaborações poderosas com Playboy no currículo e uma comunidade de loucos por moda que não para de crescer.
Enquanto a marca se preparava para abrir sua loja Barcelona flagship, embarcamos rumo à cidade ensolarada para visitar o escritório da Nude e descobrir mais sobre a trajetória de sucesso da marca e sua nova loja com mood de museu.
Siga a leitura para conferir a entrevista completa e depois corra para o site da Nude Project para garantir as coleções mais recentes.
Conte um pouco sobre a marca e o que fez vocês decidirem criá‑la. De onde surgiu essa ideia?
Nude Project: A marca se chama Nude Project, mas a gente vende roupa, o que é bem irônico. Começamos quando tínhamos 18 anos. Eu conheci esse moleque, que hoje é meu melhor amigo—ele era só um cara que eu encontrei nas redes sociais. Ele falou: “E aí, tá fazendo o quê?” e eu: “Nada, tô bem entediado, sem nada pra fazer da vida. Vamos criar uma marca? Que se dane, vamos.” Começamos há sete anos, e o resto é história. Agora temos essa loja incrível e, de fato, conseguimos bancar as ideias malucas que temos, o que talvez seja o nosso maior sucesso.
Você pode contar um pouco mais sobre a história por trás do nome?
Eu adoraria ter uma história super cool, do tipo: “Criamos a Nude Project porque o Alex e eu éramos nudistas e íamos sempre pelados à praia, e foi mais ou menos por isso que resolvemos lançar uma marca de roupa.” Seria ótimo, mas não é a verdade. A história real é que tínhamos outro nome, só que não conseguimos registrá‑lo legalmente porque éramos crianças, inocentes, e nem sabíamos que precisava fazer isso. O nome começava com NP, então pensamos: “Meu Deus, e agora? Precisamos encontrar outra marca.” Começamos a fuçar dicionários em todas as línguas do mundo e chegamos em Nude Project. A reação foi tipo: “Que p*rra é essa, que estranho. Mas eu meio que gostei.”
No começo, a marca era muito mais unissex ou focada em menswear, e depois vocês desenvolveram uma coleção feminina completa. Por quê?
Porque eu tenho muito orgulho da nossa coleção feminina. Eu sempre pensei: “se eu tiver uma namorada, também quero vesti‑la com a marca”. A gente tem os biquínis mais fofos do mundo e, sinceramente, é muito legal criar para alguém que não sou eu. Como projeto, é muito mais interessante. Eu amo mulheres e amo a figura feminina. Poder vestir uma mulher, fazer com que ela se sinta empoderada e bem consigo mesma, pra mim, é a coisa mais incrível que existe.
Quais são as maiores diferenças entre criar para o feminino e para o masculino? O que passa pela sua cabeça nesse processo?
Acho que nós, homens, e aqui eu falo pelo coletivo, somos básicos—extremamente simples. Você vê uma calça jeans, uma camiseta branca e pronto: “Tá ótimo”. As mulheres são muito mais complexas na hora de se vestir, são mais elegantes e sofisticadas. Existe outro nível de exigência… Sinto que as mulheres pedem muito mais da moda e cobram muito mais dos designers, então esse foi o maior desafio.
Ao longo dos anos, vocês fizeram colaborações incríveis. A com a Playboy é, claro, a que vem primeiro à cabeça. Como ela aconteceu?
A colaboração nasceu de uma admiração total pela Playboy dos anos 70. As pessoas vão ter muitas opiniões sobre a Playboy, e eu entendo, mas a nossa ideia era reinterpretar a identidade e a estética da marca hoje, com os nossos valores. Acho que essa foi um pouco da magia da colaboração; ela ficou muito especial.
Como você decide com quem colaborar e o que, na sua opinião, faz uma boa colaboração?
Colaborações dependem muito das pessoas. Se eu conheço alguém com uma energia única, que toca uma marca muito legal, às vezes me importo quase mais com a pessoa do que com a marca. Se alguém se conecta com você e está realmente motivado, você sabe que a mágica vai acontecer. Às vezes existem marcas incríveis comandadas por grandes corporações que te travam e não deixam você fazer o que gostaria ou o que poderia ser mágico, e isso limita tudo.
O que faz uma boa colaboração? Liberdade. Pessoas realmente empolgadas para fazer aquilo acontecer e trazer algo novo pro mundo. E, claro, duas marcas que você jamais imaginaria juntas—o inesperado é o que deixa as colabs legais. Não quero ver algo que já faça sentido na minha cabeça. Quero ver algo que exploda a minha cabeça.
Tem rolado muita conversa online recentemente sobre essa ideia de que o streetwear morreu. O que você acha disso?
Acho que “streetwear” é só um nome que as pessoas decidiram dar para o prêt‑à‑porter da moda do dia a dia. Moda do dia a dia não vai morrer, porque a gente precisa se vestir para ir trabalhar, ir para a escola. Mas acho que esse rótulo reflete uma mudança gigante de tempos—Supreme, Palace, marcas que eu amava na minha juventude, talvez não estejam no auge do ciclo agora. Eu ainda acho a proposta delas incrível, mas é hora de novas marcas, de ideias frescas. Então chame de prêt‑à‑porter, de streetwear, de everyday wear—as pessoas vão continuar precisando desse tipo de roupa. Espero que o streetwear não tenha morrido, porque senão não vou conseguir bancar essa loja…
Além das aberturas de loja, quais são alguns dos outros objetivos para a marca? O que você ainda quer realizar?
Se as pessoas só me deixarem continuar criando e eu tiver orçamento para fazer coisas incríveis como essa loja, eu já fico bem satisfeito. Talvez eu tenha perdido a ambição. Talvez eu esteja ficando velho? Porque acho que estou simplesmente feliz fazendo isso, acordando todo dia para trabalhar com gente incrível e talentosa, que eu respeito e admiro, e criando produtos e campanhas que realmente trazem algum tipo de valor e animação para o mundo.



















