Afinal, a Nike está vencendo a guerra cultural?
Com um megaverão de esportes chegando, o Swoosh entra em campo para levar o ouro em 2024.
Há quase uma década,o sportswear e as marcas que ditam sua evolução vêm falando de muito mais do que segundas peles etênis. O setor se tornou um dos espelhos mais nítidos do zeitgeist cultural, reunindo moda, música, arte e muito mais em torno de uma paixão esportiva em comum. À medida que as fronteiras rígidas entre estádio, passarela e rua se dissolvem, surge uma nova pergunta: quem está vencendo essa nova guerra cultural?
Com aCopa do Mundo de 2026 dominando todo o continente norte-americano neste verão, o Swoosh quer sair vitorioso dessa disputa. Ao trocar o marketing padrão por uma ocupação hiperlocal e subcultural,Nike colocou o poder nas mãos das pessoas — e isso está rendendo, e muito. Do giro global dos novos torneios de futebol de rua Toma el Juego às collabs chiques que trazem a Fashion Week para mais perto de casa, a gigante do sportswear está dando uma verdadeira aula de relevância.
Some-se a isso uma lista de novosatletas contratados e decolaboradores de peso à mistura, e fica óbvio como o Swoosh foi parar na disputa pela medalha de ouro da cultura esportiva desta temporada. A Nike já não está apenas em busca de troféus: a marca se posiciona como a única árbitra do que é “cool” — e desafia quem ousar discordar.
Ano de Copa do Mundo é sempre supersaturado de coleções, campanhas e eventos inspirados nofutebol. Destacar-se em meio a tanto barulho é o maior desafio para qualquer marca, mas 2026 vem se provando o ano da Nike. Com o torneio deste verão acontecendo em seu quintal, além de vestir duas das seleções anfitriãs, já era esperado que a Nike fosse além. Ao lançar sua própria campanha de Copa do Mundo em dezembro de 2025, dá para dizer, sem medo, que a marca superou as expectativas.
Na internet, muita gente vinha sendo dura demais com as últimas entregas de futebol da Nike, criticando as camisas minimalistas,uniformes, agasalhos e chuteiras. Era só questão de tempo até a marca lançar algo que calasse todos os críticos — e a coleção Hollywood Keepers fez exatamente isso.
Lançada de surpresa, pouco antes do fim de 2025, a Nike deu ao mundo um gostinho do que viria no verão de 2026 com uma coleção nostálgica de camisas de goleiro que borrava as fronteiras entre sportswear estreetwear. Desde então, o Swoosh não tirou o pé do acelerador.
Em 2026, a Nike vem ocupando a linha de frente dos grandes momentos culturais desde o início do ano, começando pelosJogos Olímpicos de Inverno. Já queridinha da sensação pop e medalhista de ouroAlysa Liu antes mesmo de ela entrar no gelo em fevereiro, a dupla oficializou a relação após sua campanha olímpica histórica, lançando sua primeira coleção assinada no fim de março.
Liu era uma escolha óbvia: uma das maiores atletas de sua geração, com personalidade contagiante e presença de palco de sobra. Seu estilo e seu currículo gritam “atleta Nike”, e ela se junta a alguns dos maiores nomes do esporte como novo rosto da marca no gelo. Uma contratação menos óbvia, mas igualmente poderosa, foi a deDiya Joukani.
A fama de Joukani na internet surgiu praticamente da noite para o dia: seus looks dignos de cinema e a atitude blasé criaram uma nova tendência online que todo mundo quis copiar. Ignorando as imitadoras e indo direto à fonte, a Nike trouxe Joukani para a família Swoosh quase imediatamente, se antecipando às concorrentes para assinar com a garota mais cool da internet.
A designer indiana já está colaborando com a marca, integrando um grupo de criativos internacionais que está moldando o futuro do Air Max no programa Air Works da Nike. Sim, a Nike se move rápido — mas há um motivo para que, quando o Swoosh liga, todo mundo atenda. Enquanto outras marcas dominam esportes ou mercados específicos, o poder da Nike é total: vai dos tênis à música,do basquete edo tênis ao futebol e àginástica artística. A Nikeé cultura, e a forma como a marca se faz presente nos espaços que alimentam seu crescimento é o que garante que ela siga em posição de liderança.
Eventos guiados pela comunidade e colaborações são o que diferencia a Nike do resto nessa disputa em torno da Copa do Mundo de 2026. Os torneios de rua Toma começaram em junho de 2025, coincidindo com o Mundial de Clubes da FIFA nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, criando expectativa para os lançamentos e campanhas de Copa da marca com quase um ano de antecedência.
Cada torneio destaca jovens talentos locais em uma cidade diferente, deLos Angeles aSeoul. Vestindo os jogadores com os últimos lançamentos e equipamentos, o Toma rapidamente se tornou o lugar certo para ver, em campo, os próximos drops de Nike Football. É uma verdadeira aula de marketing: usa uma plataforma gigantesca para impulsionar jovens atletas, cultiva comunidade em grandes cidades ao redor do mundo e ainda aumenta o desejo pelas coleções mais novas.
Só de olhar para o merch criado para esta Copa, já dá para entender por que a marca acelerou tanto. Estamos no sprint final da Copa do Mundo: faltam poucas semanas para o maior torneio que o planeta já viu começar, e todo mundo corre para lançar suas últimas coleções e campanhas. A Nike já anunciou um verão carregado de colaborações, colocando seus maiores nomes em campo para a temporada do futebol. Moda é quase instinto para a marca, mas este ano ela provou que vocêpode superar até quem já fazia antes.
Sete nações, sete colaborações distintas. Pelo teaser em Polaroid da Copa, a Nike confirmou as parcerias de moda que chegam ao gramado em junho — França xJacquemus, Estados Unidos x aVirgil Abloh Archive, Holanda xPatta, Nigéria x Slawn, Coreia do Sul x PEACEMINUSONE, Inglaterra xPalace e Canadá xNOCTA.
Cada designer e cada país foram escolhidos a dedo, e os laços locais com cada nação tornam as collabs ainda mais significativas. Para alguns públicos — como o consumidor típico de Jacquemus —, esta talvez seja a vez em que eles mais vão prestar atenção a uma Copa; para outras marcas, as audiências já se misturam com as torcidas mais fanáticas. As coleções aproximam dois mundos de um jeito que só o Swoosh consegue. São essas narrativas colaborativas e locais que a Nike sabe contar como ninguém — e que fazem o público voltar sempre.
A guerra cultural pode continuar por um bom tempo, mas uma de suas maiores batalhas está sendo travada neste verão. Assim, quando a Copa finalmente chega ao solo americano para mostrar de quem foram os esforços que mais ecoaram na máquina incessante de campanhas, a Nike desponta como favorita a erguer esse troféu. Indo na contramão, sem medo do que os críticos pensam ou dizem, destacar-se é o grande forte da Nike — e que assim seja por muito tempo.

















